Leonardo Jardim

José Moniz conhece Leonardo Jardim como poucos e talvez por isso garanta que entre os dois “não é preciso grandes conversas” para saber o que sentem. A amizade começou nos tempos do Camacha, quando o agora treinador do Sporting foi seu adjunto, e a confiança mantém-se até hoje, ao ponto de em momento algum duvidar do que é capaz de fazer o treinador do Sporting.

“Leonardo Jardim deve-me uma lagosta dos tempos do Beira-Mar. Acho que vai ter de me pagar duas.”

Quando faz referência a esta promessa, José Moniz não quer falar do título mas “na realização de uma boa campanha” que, na sua opinião, já está confirmada. No entanto, há uma esperança.

“No Leonardo Jardim acredito plenamente, no Sporting tenho dúvidas. É verdade que as coisas estão a mudar mas todos sabemos que não era um clube muito bom para os treinadores. Tenho algum receio embora confie nas capacidades dele. É uma forte candidato mas parece-me que ainda falta alguma coisa para ser campeão. Às vezes perde-se um jogo inesperado e também há interferências”, diz.

José Moniz, já retirado do futebol, mostra-se feliz por Jardim por estar a transformar o que aprendeu e recusa a ideia de que o treinador do Sporting possa acusar a pressão da liderança.

“A sua carreira não é assim tão curta. Tem mais experiência do que o Paulo Fonseca. É inteligente, bem formado, estudioso. Vamos ver se é capaz de levar a água ao seu moinho. No Sp. Braga esteve a um passo do título. A pressão é fundamentalmente da imprensa”, refere.

Moniz tem uma certeza: agora que o Sporting é líder, o discurso de Jardim terá de mudar

“Quando dizia que queria ganhar todos os jogos estava implícito o desejo de ser campeão mas a cautela tem sido muita. Agora com a liderança da Liga já há coisas que não podem ser escondidas. E os adeptos também assim o exigem. Gostam de pessoas descaradas. Tenho outro treinador amigo que diz se é preciso vender a ponte sobre o Tejo. Jardim vai ser obrigado a mudar o tom. Já não pode ser o discurso do bom rapaz”, argumenta.

José Moniz lembra que Jardim usa o lema “os outros têm os melhores jogadores, nós a melhor equipa” e que multiplica o carisma que a mesma representa para motivar quem trabalha com ele, como se “pode ver na grande campanha que está a fazer”.

Com o campeonato ainda na 1.ª volta, José Moniz deixa os conselhos de lado.

“Somos amigos e existe uma grande afinidade entre de nós. Ele tem uma maneira de estar comigo que possivelmente não terá com mais ninguém. Respeitamo-nos muito mas eu não tenho o hábito de lhe enviar mensagens porque não gosto de interferir em nada”, frisa.