Carlos Saleiro

Carlos Saleiro fez toda a formação em Alvalade e trabalhou com Paulo Bento nos seniores do Sporting. Tenta agora relançar-se nos suíços do Servette e assume que o objectivo é chegar à Selecção e estar no Europeu de 2012.

Correio Sport – Saiu do Sporting depois de 15 anos em Alvalade. O que o fez aceitar o convite da Suíça?
Carlos Saleiro – Precisava de uma mudança. O Servette tem portugueses que eu conheço bem, pessoas dispostas a apostar em mim, e pareceu-me o momento certo para tentar uma experiência no estrangeiro.

– Mas o Sporting ainda contava consigo…
– Sim, é verdade. O Sporting propôs-me a renovação para ser novamente emprestado, mas visto que estava há duas épocas a ter uma utilização muito intermitente os meus objectivos tinham de ser outros, e chegámos à rescisão.

– Que outros objectivos persegue?
– Fazer uma grande época, marcar golos e chegar à selecção A. Esse é o meu objectivo. E quero tentar estar na fase final do Europeu de 2012. Se estiver a jogar, é claro que sonho com a fase final da prova.

– O campeonato suíço é uma boa montra?
– Acredito que sim. Não acho que tenha dado um passo atrás. Preciso de jogar, e penso que vou conseguir isso no Servette, pois João Alves e Costinha apostaram em mim. Aliás, Costinha fez muita força para eu aceitar jogar no Servette.

– Fala de Costinha. O plantel do Sporting gostava dele?
– Sim. Ele estava muito perto dos jogadores. Acho que o Costinha foi incompreendido. Disse algumas verdades que algumas pessoas não gostaram de ouvir.

– Paulo Bento conhece-o bem. Isso pode aumentar–lhe as possibilidades de chegar à Selecção?
– Paulo Bento decide pelos que estão melhor no momento, e eu tenho de justificar, mas o facto de ele me conhecer e de saber as minhas características pode dar um impulso ao meu desejo.

– A verdade é que começou a época com um azar…
– Sim, estou a recuperar de uma micro-rotura, mas estou praticamente bem. A minha época vai começar agora e sinto-me preparado.

– Tem 25 anos. Pensa que ainda poderá regressar ao Sporting?
– Não penso nisso. Pretendo continuar a jogar fora de Portugal o máximo de tempo possível.

– No Sporting da época passada, houve muitos jogos em que só entrou nos descontos. Sentiu-se então subaproveitado?
– O que mais estranhei era o tempo que entrava para jogar [pouco mais de cinco minutos] e assobiarem-me. Não fazia sentido. Não tive tempo para fazer mais. Foram opções. Porém, no meu íntimo, acho que poderia ter tido mais oportunidades.

– O plantel da época passada foi muito criticado mas o desta época também já o está a ser. Qual é o melhor dos dois?
– Em qualidade estão equiparados. O plantel desta época tem é mais opções.

– Chegou a ser treinado por Domingos na Académica. Ele tem condições para triunfar no Sporting?
– Tem capacidade para isso. É muito organizado e cria bom ambiente no grupo. Contudo, também é muito exigente e quer sempre grande rigor. Gostei muito de ser treinado por ele.

– Como explica que tivesse sido muito utilizado em 2009/2010 com Carvalhal, e com bom rendimento, e que na época passada só jogasse esporadicamente?
– Tem a ver com escolhas. Sou um jogador que, assumo-o, precisa de sentir o carinho e a confiança do treinador. E, para mim, é bastante importante jogar. Tive isso com Carvalhal, e com os jogos ganhei rotinas e as coisas saíram-me bem. Se tiverem confiança em mim, sou capaz de dar um pouco mais.

– Como se sentiu na última época em Alvalade?
– Não me senti útil. Com confiança, podia ter ajudado mais.

– É difícil agradar à plateia sportinguista?
– Não é fácil, e fica mais difícil quando, colectivamente, as coisas correm mal.

Yannick Djaló e Hélder Postiga também sofreram na pele o descontentamento dos sportinguistas…
– É verdade. Acho que os adeptos não estavam a ser correctos com eles. Eu, como sportinguista, discordo dos assobios. Para mim, eles tinham lugar no plantel.

– Como tem analisado o início de época do Sporting?
– Está à vista de todos, e nenhum sportinguista está contente. Mas o plantel é forte e tem condições para dar a volta por cima. O Sporting tem grandeza e vai recuperar de um início menos conseguido.

Carlos Miguel Mondim Saleiro nasceu no dia 25 de Fevereiro de 1986, em Lisboa. Foi o primeiro bebé-proveta em Portugal. Tem 25 anos. Ponta-de-lança com típicas características de área (mede 1,87 m e pesa 82 quilos), é um produto da formação do Sporting, ao qual esteve ligado durante 15 épocas, com vários empréstimos pelo meio: Olivais e Moscavide, Fátima, V. Setúbal e Académica. Terminava contrato em Junho com os leões e aceitou o convite para a primeira aventura no estrangeiro, o Servette, treinado por João Alves.

Tem contrato até 2013 e uma cláusula de rescisão de 30 milhões de euros. É um jogador com passado ligado às selecções – foi campeão da Europa de sub-17 em 2003 – e tinha o estatuto de titular, numa equipa em que também estavam os seus antigos companheiros leoninos Miguel Veloso e João Moutinho.