A influência de Bruno Fernandes no Sporting nas duas últimas épocas é inegável. O médio era uma das principais peças na equipa de Jesus na temporada passada e manteve esse estatuto, primeiro com José Peseiro, depois com Tiago Fernandes e agora com Keizer. E não é de espantar. A sua inteligência em campo, a leitura tática, aquilo que dá ao jogo do Sporting é algo que nenhum treinador pode abdicar. E se lhe acrescentar golos – muitos golos, melhor ainda.

Para se ter uma ideia da sua influência nos ‘leões’, Bas Dost tem apenas mais um golo marcado que Bruno Fernandes esta época. E o ‘holandês voador’ soma 19 tentos em 24 jogos, 14 deles na Liga onde apenas fez 12 jogos. Uma impressionante média de 0,8 golos por partida.

Não foi por acaso que vários treinadores das equipas adversárias passaram a ordenar marcações individuais a Bruno Fernandes, depois de perceberem a sua importância na dinâmica ofensiva do Sporting desde a chegada de Marcel Keizer, que valeu 25 golos nos primeiros seis jogos, suplantando em um golo o registo do anterior técnico nas primeiras 14 partidas. Foi dele um dos dois golos da derrota do Sporting frente ao Benfica no passado domingo, para o campeonato.

Os 18 golos estão distribuídos da seguinte forma: dois na Liga Europa em seis jogos, cinco na Taça de Portugal em igual número de partidas, oito na Primeira Liga em 19 jogos e três na Taça da Liga em cinco encontro, num total de 35 jogos e 3056 minutos pelo Sporting. Tem mais três jogos pela Seleção e nenhum golo marcado.

Além dos 18 golos, há outros números que atestam a influência do médio de 24 anos. Bruno Fernandes apenas falhou um dos 36 jogos que o Sporting já disputou esta época: foi na receção ao Belenenses, na 15.ª jornada da Liga, por estar castigado.

Os 18 tentos já marcados constituem um marco histórico para Bruno Fernandes (na época passada marcou 16, o máximo na carreira) mas há outros recordes que o camisola oito pode quebrar. O búlgaro Krassimir Balakov e o brasileiro Osvaldo Silva ostentam o recorde de maior número de golos marcados por num médio do Sporting numa temporada. Bastam apenas três para o ‘bombardeiro’ de Alvalade igualar os dois míticos atletas leoninos. Para o conseguir, o médio tem, pelo menos, 14 jogos em disputa. Se o Sporting ultrapassar o Benfica e chegar à final da Taça de Portugal, passa a ter 15 partidas para igualar Balakov e Osvaldo Silva. Há ainda a Liga Europa, onde os ‘leões’ vão medir forças com o Villarreal nos 16-avos-de-final da prova. Se passarem esta eliminatória, acrescentam-se mais dois jogs que Bruno Fernandes pode disputar.

Lisboa, 22/02/2018 – O Sporting Clube de Portugal recebeu esta tarde o Futebol Clube Astana no Estádio de Alvalade em jogo a contar para a 2º mão dos 16 avos-de-final da Liga Europa 2017/2018.
Festa de Bruno Fernandes
(Jorge Amaral/Global Imagens)

O terceiro jogador mais caro da história do Sporting (os ‘leões’ pagaram 8,5 milhões de euros a Sampdoria pelo seu passe) promete deixar a sua marca esta época, apesar da temporada menos boa da equipa. É verdade que o Sporting já venceu a Taça da Liga e tem tudo para chegar à final da Taça de Portugal mas no campeonato os ‘leões’ já estão a 11 pontos da liderança.

Bruno Fernandes foi um dos jogadores que rescindiu contrato com o Sporting, na sequência do ataque à Academia do clube em Alcochete. Na altura, em maio de 2018, cerca de 50 adeptos, quase todos da claque Juventude Leonina, invadiram o centro de treinos do clube e agrediram jogadores, técnicos e staff médico, depois de o Sporting perder com o Marítimo na última jornada da I Liga, cair do segundo para o terceiro lugar e falhar o acesso às pré-eliminatórias da Liga dos Campeões.

Mas o jogador voltou atrás na decisão, tal como Battaglia e Bas Dost e regressaram ao Sporting, depois de conversar com Sousa Cintra, presidente interino após o afastamento de Bruno de Carvalho.

“O Sporting apostou em mim, pagou 8,5 milhões de euros por mim, para um clube português é muito dinheiro, e eu sentia-me, e sinto-me, também um bocadinho em dívida. Obviamente após rescindir o contrato todas essas coisas vêm à cabeça, e obviamente pensas naquilo que passaste no clube, tiveste um momento negativo num ano inteiro, um momento que ninguém esperava, mas nesse ano inteiro tiveste muitas coisas boas. Foi o melhor ano da minha carreira […] as pessoas que me chamam de mercenário e de Judas podem estar completamente à vontade para o continuar a fazer porque são coisas que me passam completamente ao lado”, disse numa entrevista ao jornal ABola em dezembro de 2018, para justificar a sua decisão.