A vitória frente aos alemães do Hansa Rostock por 13-3, no quarto encontro da terceira etapa da Super Liga Europeia, mantiveram os 15 pontos de diferença para o segundo classificado, os finlandeses do Old Power, o que matematicamente torna impossível qualquer recuperação.

Não foi uma vitória qualquer. O título maior do Velho Continente surgiu com o que, na gíria, se designa por capote, quando uma equipa atinge 10 golos de vantagem sobre o adversário, terminando de imediato o encontro. Foi o que aconteceu aos leões orientados por Márcia Ferreira, que conseguiu o feito de conquistar um título internacional à frente de uma equipa masculina o que, eventualmente não sendo inédito, não é propriamente habitual.

O Sporting CP, à semelhança do que aconteceu no primeiro encontro desta etapa de Malmo, na Suécia, frente ao Old Power, entrou a perder. Reno Tiede, terceiro melhor marcador da competição, inaugurou o marcador aos dois minutos de jogo, num ressalto de bola que Justas Pazarauskas não conseguiu travar. No entanto, um minuto depois, o brasileiro Leomon Moreno empatou a partida. O jogo prosseguiu numa fase de maior equilíbrio já que o momento mais emotivo que se seguiu foi a grande penalidade falhada por Reno Tiede. No mesmo minuto, Alex Schreck, um dos elementos que serve de base à selecção alemã – vice-campeã europeia de selecções –, aumentou a vantagem. A um minuto do intervalo, o grande salto em frente dos leões: Justas assina o empate (2-2), um dos seus fortíssimos remates, com Leomon Moreno a aproveitar a onda e a marcar três golos consecutivos, dois deles de castigo máximo fruto de faltas – high ball – dos alemães.

Com 5-2 para o Sporting CP ao intervalo, a segunda poderia prever-se de gestão, mas Márcia Ferreira quis que a consagração fosse em grande estilo. E nada melhor do que trabalhar para o já referido capote! Não houve, por isso, alterações ao trio inicial – Justas Pazarauskas, João Mota e Leomon Moreno –, e a goleada foi sendo construída como quem surfa na crista da onda. Como os restantes golos foram todos divididos, mais uma vez, entre Justas e Leomon, ficará mais fácil explicar da seguinte forma: 6-2, 8-2, e 9-3 foram apontados pelo lituano; 7-2, 10-3, 11-3, 12-3 e 13-3 ficaram a cargo do brasileiro.

Com o capote, o encontro terminou quando ainda faltavam três minutos e 18 segundos para o apito final. A festa seguiu-se e bem merecida. A secção de goalball do Sporting CP está na sua terceira época e o percurso feito até aqui, somando os adversários valorosos que os leões foram deixando pelo caminho – recorde-se que em 15 jogos já disputados nesta quinta edição da Super Liga Europeia, a formação de Alvalade venceu-os todos! –, torna este primeiro título internacional português numa modalidade paralímpica num feito especial. Como o Sporting Clube de Portugal.