Quase 20 anos depois, Rui Patrício deixou o Sporting e a baliza leonina orfã de uma referência que o emblema verde e branco parece ainda procurar.

É verdade que Renan Ribeiro, na época de estreia em Alvalade, foi importante nas conquistas da Taça da Liga e Taça de Portugal, tendo mesmo convencido os responsáveis leoninos, que avançaram para a sua contratação em definitivo. O guarda-redes brasileiro não mostrou ter o mesmo nível que o seu antecessor, mas fez o suficiente para manter o estatuto de número um na época que se segue.

A concorrência é que não será a mesma. Salin deixou Alvalade e ficou em aberto o lugar de número 2 da baliza do Sporting. A ida ao mercado é uma possibilidade, mas tem sido o nome de Luís Maximiano o mais apontado a essa vaga. Será o jovem de 20 anos capaz de oferecer concorrência ou até ganhar o lugar a Renan Ribeiro? Fomos falar com quem percebe de tudo isto. Roberto Rivelino, autor do site O Mundo dos Guarda-Redes, cronista do jornal A Bola e treinador de guarda-redes, explicou ao zerozero tudo aquilo que Luís Maximiano pode oferecer ao Sporting.

As comparações com Rui Patrício são, neste momento, exageradas, mas não estão assim tão distantes da realidade. Uma época de visibilidade para o bem e para o mal Nos leões desde 2012, Maximiano passou pelas equipas de iniciados, juvenis, juniores, B e sub-23 do Sporting, mas foi com apenas 15 anos que se estreou nos treinos da equipa principal, onde estava… Rui Patrício. Passou grande parte da época 2018/19 entre a formação principal, como terceiro guarda-redes, mas foi na Liga Revelação que se mostrou aos mais desatentos. «É bom a defender penáltis, não é?».

Uma pergunta honesta de um jornalista que teve a “sorte” de ver Max, como também é chamado, defender duas grandes penalidades em dois jogos seguidos, mesmo a lembrar o antigo guarda-redes do Sporting.

«Calma». Foi esta a resposta de Roberto Rivelino e é este o conselho para os leitores e para Maximiano. Ainda há um longo caminho a percorrer. O tipo «dedicado e pacato», como nos foi descrito, teve, na Liga Revelação, oportunidade de evoluir… e errar. «Ficou exposto a contextos de exigência maior e teve de lidar com o sucesso e insucesso individual com um peso maior do que teria de lidar em outros escalões». Se para um jovem é importante jogar, para um jovem guarda-redes isso ainda ganha maior importância. Por isso, a questão que se segue tem toda a lógica.

Número 2 ou número 1? Se um guarda-redes precisa de jogar, será benéfico para Luís Maximiano ficar como número 2? E se de número 2 passar a número 1? A possibilidade é real, até porque a concorrência não dá totais garantias. «Há essa possibilidade de jogar menos, mas também existe a possibilidade de ser uma aposta na eventualidade de o Renan Ribeiro continuar no mesmo registo de 18/19: guarda-redes sem a preponderância necessária para o nível que a baliza do Sporting exige». Portanto, tudo é possível, mas a capacidade está lá. Os fatores é que variam e Roberto Rivelino lembra-nos isso mesmo, recordando, precisamente, Rui Patrício.

Sem querer tocar no nome do internacional português, fica inevitável comparar as duas situações tendo em conta o contexto. Até faz sentido, mas é preciso ter atenção aos pormenores. Lembra-se do que aconteceu nos primeiros tempos de Rui Patrício e da importância que teve Paulo Bento? Marcel Keizer e os sportinguistas teriam de ser pacientes para os «erros normais de idades precoces na baliza». É uma questão de tolerância, ainda que, neste aspeto, conta-nos Roberto Rivelino, Maximiano esteja mais salvaguardado por já ter tido espaço para errar na equipa sub-23. Respondendo diretamente (ou não) à questão que colocamos antes, Maximiano precisa de jogar.

Como número 2 a oportunidade pode surgir e há qualidade para a agarrar, mas uma cedência com garantia de minutos num espaço mais competitivo do que a Liga Revelação podia ser positivo para a evolução de um jovem que promete. É Max, com traços… de Patrício Por fim, que análise é possível fazer, neste momento, do guardião sportinguista? Uma vez mais, Rui Patrício vem à conversa, uma vez mais, há parecenças. Maximiano ainda é um guarda-redes em evolução. Tal como aconteceu com Patrício nos primeiros tempos de Sporting, o jovem leão terá de procurar conter-se nas saídas da baliza – profundidade ou cruzamentos e bolas aéreas – e no jogo com os pés – passe, circulação, etc -, mas, por ter tido mais tempo e contexto para crescer está também mais preparado do que estava, na altura, Rui Patrício.

Do que conhece de Maximiano, Roberto Rivelino acredita que os erros mencionados acima possam aparecer mais por fatores emocionais do que técnicos e aponta os pontos fortes do jovem leonino de 1m90. Muita confiança e capacidade para defender a baliza em profundidade, isto é, mostra qualidade a defender quase em cima da linha de golo. Faz lembrar alguém?