Os papéis inverteram-se mesmo e talvez não haja explicação racional. A cilindrada trocou de lado da Segunda Circular.

Nos últimos quatro anos deu-se uma inversão estranha que culmina no inimaginável quando, em Alvalade, o treinador era Leonardo Jardim: das duas equipas que hoje estarão na Luz, a que vale mais dinheiro é a do Sporting. Nunca foi possível discernir se isso aconteceu por opção administrativa, por talento persuasivo de Jorge Jesus, voluntarismo exagerado de Rui Vitória ou – o mais certo – pelos três motivos todos juntos.

Claramente, Bruno de Carvalho cedeu muito aos apetites do treinador e, do outro lado, Rui Vitória cedeu o mesmo à demagogia da formação. Sem dados para ter certezas, resta o que me parece evidente: é um dérbi de Lisboa desequilibrado a favor do Sporting, como não sucedia há muitos anos.

Já não dá para falar de Ferrraris. Para Jesus é uma oportunidade única; para Vitória é um atalho apertado que pode tirar o Benfica do labirinto.