Para o bem ou para o mal, a carreira de Mauro Riquicho ficará para sempre marcada pelo minuto 62 do encontro entre o Sporting B e o Leixões, disputado a 16 de setembro de 2015, quando sofreu uma dura entrada que o obrigou a ser substituído.

No dia seguinte, o pior cenário confirmava-se: o lateral-direito, então com apenas 20 anos, sofrera uma fratura do perónio da perna esquerda e uma luxação do tornozelo, que o obrigaria a parar durante 15 meses.

Agora, com 22 anos, o internacional sub-21 português assegura que o pior ficou para trás. Numa entrevista ao Desporto ao Minuto, Riquicho diz-se “completamente recuperado” da grave lesão.

O capitão da equipa B do Sporting alimenta o sonho de chegar não só à equipa principal do clube de Alvalade, como à da seleção nacional.

O que te vem à cabeça quando pensas naquela lesão?

Tristeza, acima de tudo, porque estava bem, numa boa fase. Aquela lesão deixou-me muito em baixo. Agora estou completamente recuperado.

Na altura sentiste logo que poderia ser tão grave como acabou por ser?

Só sentia dor… Passado um, dois dias, comecei a sentir que era mais grave do que pensava.

Como passou a ser a tua rotina?

Passava-se tudo na Academia, no posto médico e no ginásio. De manhã até à tarde era tratamento. Disseram-me sempre para não deixar de acreditar, que foi o que fiz.

O que foi mais complicado, a parte física ou psicológica?

A parte psicológica. Toda a gente me apoiou. Os dirigentes, os colegas de equipa, os funcionários da Academia, sempre que me viam, davam-me uma força e isso foi muito importante para mim.

Lembras-te do dia em que voltaste a pisar um relvado?

Lembro-me. Foi no ano passado, contra o Vitória de Guimarães B, fora. O meu colega, o Mama [Baldé] lesionou-se e eu entrei. Aí foi muito bom.

Sentes que a lesão acabou por atrasar o teu desenvolvimento?

Claro que sim. Atrasou, mas também me ajudou a melhorar noutros aspetos. Especialmente no aspeto mental, que foi crucial para agora estar aqui.

É a tua quinta época na equipa B. Sair para ganhar outro ‘andamento’ nunca foi uma opção?

Para ser sincero, não. Sempre quis, e ainda quero, cumprir o sonho de chegar ao outro lado [equipa principal]. Mas se, eventualmente, for melhor para todos… não vou ter receio.

Tens contrato até 2021 e uma cláusula de rescisão de 45 milhões de euros. Esse número não pesa?

Um bocado (risos). Mas tento abstrair-me disso e fazer o que mais gosto, que é jogar futebol.

Ainda que a espaços, Jorge Jesus vai-te chamando para trabalhar com a equipa principal. É sinal que está atento ao que tens feito na equipa B?

Acredito que sim. Quando me chama para treinar com a equipa principal, dá-me feedback, tenta ajudar-me a melhorar. Trabalhar com a equipa principal é o realizar de um sonho de miúdo. É muito bom. Só tenho a aprender com eles, e é o que faço.

É fácil trabalhar com Jorge Jesus?

É muito bom. O mister é muito interventivo, sempre a tentar tirar o nosso melhor. Admiro-o por isso. De vez em quando tem de se levar uns ‘duros’ (risos).

Na equipa principal há Piccini, mais rigoroso do ponto de vista defensivo, e Ristovski, mais ofensivo. Com qual dos dois te identificas mais?

Identifico-me com o Riquicho (risos). São dois jogadores que admiro, estão a fazer um grande trabalho. Mas eu identifico-me tanto com um como com o outro, quer ao nível defensivo, quer no aspeto mais atacante.

Como te apresentas como jogador?

O meu ponto forte é dar tudo o que tenho, é assim que sou dentro de campo, do primeiro ao último minuto. O meu ponto fraco… Não diria um ponto fraco, mas se calhar tenho de melhorar na definição dos momentos de jogo.

Tiveste muito tempo parado, ainda vai a tempo de atingir o potencial que te foi augurado?

Sim, claro. Acredito plenamente nisso.

Representaste a seleção nacional nas várias camadas jovens. Chegar à equipa principal é um objetivo?

Desde o momento em que comecei a integrar as camadas jovens da seleção portuguesa, e tal como no Sporting, o objetivo tornou-se cada vez maior. Quero chegar à seleção A e não vou fugir disso. Seria um sonho.

Nunca pensaste em representar Moçambique?

Não deixo de lado, são as minhas raízes. A partir do momento em que encarei este desafio, quero levá-lo até ao fim.

Como tens visto o momento do Sporting B?

Tivemos uma fase menos boa, em que as coisas não saíam. Agora estamos a assimilar bem o que o mister nos diz nos treinos e estamos numa fase melhor. Mas ainda temos muito trabalho pela frente.

E o da equipa principal? Acreditas na conquista do título?

Estão muito bem. Claro que acredito, também quero festejar com eles.

A tua oportunidade na equipa A pode chegar já esta temporada?

Acredito no meu trabalho. Essa escolha terá de ser feita pelos misters. Vou dar o meu melhor para que isso aconteça.