Com o ex-presidente do Sporting Bruno de Carvalho agora envolvido no caso das agressões à equipa na Academia, em Alcochete, no passado dia 15 de maio, o acordo com alguns jogadores que optaram pela rescisão complica-se. Ou seja, depois de pedir 273 milhões de euros em indemnizações por danos causados, os leões arriscam pagar 6, 8 milhões de euros aos quatro atletas que ainda não chegaram a acordo (Daniel Podence, Gelson Martins, Ruben Ribeiro e Rafael Leão), segundo informação do próprio clube no prospeto do empréstimo obrigacionista dos leões lançado na sexta-feira.

“Na hipótese de as instâncias competentes declararem verificada a justa causa para a resolução unilateral operada pelos jogadores, a Sporting SAD poderá ser condenada no pagamento de indemnizações no valor das retribuições que seriam devidas a cada um dos jogadores se os respetivos contratos de trabalho tivessem cessado no seu termo (deduzido dos valores auferidos pelo jogador em causa ao abrigo do contrato com o seu novo clube durante o período restante do contrato resolvido). Atendendo ao tempo remanescente de contrato e à retribuição auferida pelos referidos quatro jogadores em relação aos quais subsiste o litígio, no cenário de procedência da justa causa invocada as indemnizações correspondentes poderiam ascender a cerca de €6,8 milhões, que se traduz no valor peticionado pelos jogadores, incluindo danos e potenciais juros”, avisa o clube a quem pretende investir.

Cumpre, aliás, sublinhar que o Sporting, enquanto clube desportivo, deve justificar os seus resultados aos sócios e adeptos, pelo que natural se torna que não só as vitórias futebolísticas sejam vividas publicamente, mas que também os resultados menos positivos sejam reconhecidos e assumidos publicamente, atento o escrutínio público que, é, no desporto – e, sobretudo, nesta modalidade –, incontornável”, destacava, entre outras considerações.

Entre os quatro casos ainda em aberto, a grande prioridade de Frederico Varandas foi a situação de Gelson Martins, tendo por isso viajado no final da semana passada até Madrid, depois do encontro em Londres frente ao Arsenal, para reunir com os responsáveis do Atlético. Apesar de haver ainda alguma distância entre o que os colchoneros estavam dispostos a oferecer e aquilo que os leões procuravam receber, a ronda de negociações tinha deixado boas perspetivas para um acordo, algo que poderá vir a ser afetado com os últimos desenvolvimentos.

O valor das ações que o Sporting colocou na FIFA Dispute Resolution Chamber e/ou no Tribunal Arbitral do Desporto foi de 273 milhões de euros. A saber: 60,45 milhões por Podence (Olympiacos); 105,1 milhões por Gelson (Atl. Madrid); 45,3 milhões por Rafael Leão (Lille) e 62,2 milhões por Rúben Ribeiro (Al Ain).

Nas 152 páginas do prospeto obrigacionista a entidade leonina defende que a entidade, ou quem a liderava na altura, não tinham sido implicados no crime. Aliás a principal defesa do Sporting sempre partiu da presunção de inocência do então presidente leonino, agora suspeito de autoria moral do crime. “Nem o Sporting, nem a Sporting SAD, nem qualquer membro dos respetivos órgãos sociais foram constituídos arguidos. À data deste prospeto não é possível antecipar os impactos desportivos ou económicos que este processo possa provocar no emitente”, pode ler-se no documento.

Como fica o caso de Gelson Martins?
A grande prioridade de Frederico Varandas era e é a situação de Gelson Martins, que assinou pelo At. Madrid depois de rescindir com os leões. Há meses que os dois clube tentam chegar a uma acordo para evitar o conflito nos tribunais e ainda na sexta-feira passada se reuniram na tentativa de chegar a um entendimento quanto ao valor justo para a transferência do extremo. Os colchoneros só chegaram aos 20 milhões de euros, uma verba considerada insuficiente pelo novo líder leonino tendo em conta que tinha uma cláusula de rescisão no valor de 60 milhões de euros.

Agora, caso a situação se inverta, em vez de receber, o Sporting pode ter de pagar quase quatro milhões de euros ao atleta em salários e prémios por pagar até ao fim do contrato. O jogador tinha contrato até 2022 e tinha visto o ordenado subir para os 2, 2 milhões de euros brutos por ano.

Dos nove atletas que alegaram justa causa para sair de Alvalade depois da invasão da Academia, três voltaram atrás e ficaram no Sporting (Bas Dost, Battaglia e Bruno Fernandes) e dois chegaram a acordo (William e Patrício já depois de assinar pelo Wolves). Faltam assim resolver os casos de Daniel Podence, Gelson Martins, Ruben Ribeiro e Rafael Leão.